Introdução
Escrever um livro sobre o Fusca é uma tarefa que foi muito
gratificante para mim, pois este “objeto”,
como querem uns, e este “ser”, como querem outros que têm uma declarada
relação afetiva com este simpático carro, tem uma história muito interessante
que contou com ingredientes de várias origens diferentes. Certamente há outros
produtos que foram resultados de desenvolvimentos complexos, mas poucos tiveram
componentes tão variados e dramáticos. Tudo começou com a vontade de um grande
gênio, que foi Ferdinand Porsche, passou pelo desvario do polêmico líder de uma
nação, a Alemanha do Terceiro Reich, que preparava planos para dominar o mundo,
Adolf Hitler, atravessou uma guerra mundial em estado latente e só eclodiu,
após Hitler ter sido esmagado pelos aliados, graças ao respeito das forças de
ocupação britânicas pela tecnologia alemã consubstanciado na pessoa do então
jovem Major Ivan Hirst. Chegando a esta fase surge outro personagem de grande
energia e carisma, Heinrich Nordhoff, que transformou um carro espartano no
maior sucesso mundial jamais visto, materializado por mais de 22 milhões de
unidades vendidas, e uma fábrica em ruínas no maior complexo automotivo da
Europa e até do mundo.
Este poderia ser o roteiro de um
filme de aventura, mas foi a realidade de uma trajetória que teve uma
ramificação no Brasil, onde outros heróis entraram em cena para permitir que o
sucesso do carro e da marca fosse repetido com um molho bem tupiniquim,
preparado por milhões de fieis usuários, que, mesmo não tendo mais seu Fusca
nos dias de hoje, ficam com os olhos cheios de lágrimas ao contar suas
experiências com este carro. Personagens como Miguel Etchenique, José Bastos
Thompson, Friedrich Wilhelm Schulz-Wenk, Wolfgang Sauer e mais recentemente
Pierre Alain de Smedt, somente para citar alguns, pontificaram na história
brasileira do Fusca.
Este livro, em sua primeira
edição, não pretende cobrir toda esta rica história de uma maneira detalhada,
mas nada impede que seus leitores enviem dados que possam fazer parte de
edições revistas futuras. Eu tenho dedicado meu interesse na busca da memória
do Fusca no Brasil desde 1986, quando iniciei uma pesquisa que não tem data
para terminar. Estou certo de que muito material se perdeu pela falta de um
cuidado maior com a nossa história e, mais especificamente, com o registro da
trajetória do Fusca no Brasil. Acho que ainda está em tempo de resgatar o que
estiver disponível; sendo assim, convido a todos os leitores para que se unam a
mim nesta tarefa de coligir dados para resgatar esta emocionante história.
Também faz parte deste trabalho
um capítulo dedicado ao veículo VW-Brasília, que foi projetado para substituir
o Fusca, coisa que, apesar de suas qualidades, ele não conseguiu fazer, saindo
de linha antes do próprio Fusca!
Ressalto que esta é uma obra
independente que não tem nenhuma ligação direta ou indireta com a atual
Volkswagen do Brasil Ltda, não tendo contado com qualquer tipo de apoio desta
empresa para a sua realização.
Alexander Gromow